Um por todos!

Empresário engajado em ações sociais, mineiro Marcos Pêgo compartilha sua história profissional e pessoal, ressaltando a importância de ajudar o próximo como forma de retribuir aquilo que se recebe ao longo da vida

Criado em 23 de Maio de 2018 Entrevista
A- A A+

O empresário Marcos Pêgo, de 56 anos, divide o tempo entre as funções de sócio e vice-presidente da Engetron Engenharia Eletrônica Indústria e Comércio Ltda., sediada em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte – na qual ele é o responsável pela pesquisa e pelo desenvolvimento de produtos –, e as diversas ações sociais das quais participa em Minas Gerais. Em entrevista à revista Mais, ele fala sobre o pioneirismo da empresa com os sistemas de nobreaks no Brasil, da consolidação no mercado e da competitividade com gigantes multinacionais.

Concomitantemente à experiência profissional, Pêgo desempenha importantes papeis na vida de muitas pessoas. Atualmente, ele preside a Comissão Distrital da Fundação Rotária do Distrito 4760 Rotary International, além de atuar em projetos em Contagem e em Montes Claros, no Norte do Estado. Otimista, ele não perde a fé no altruísmo do ser humano e aposta na solidariedade como o melhor caminho. Conheça mais a vida desse mineiro de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, na entrevista a seguir.

Como e quando aconteceu a fundação da Engetron? Por que a escolha de atuação na área de soluções de energia?

A Engetron foi fundada em 1976, a partir da iniciativa de professores e alunos da Escola de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Minas Gerais. Já na década de 1980, ela era uma empresa que acumulava tecnologia na área de microprocessadores, eletrônica de potência e controle, fabricando, na época, controladores de demanda, retificadores e nobreaks. Na década de 1990, a Engetron, utilizando esse know-how, decidiu atuar exclusivamente na área de solução de energia por meio do produto No-Breaks Inteligentes.

Como o senhor avalia o crescimento da empresa e a consolidação dela no mercado, considerando o pioneirismo no lançamento de tecnologias no Brasil?

O crescimento da Engetron e a consolidação dela no mercado são frutos do domínio da tecnologia com um contínuo investimento em pesquisa e em desenvolvimento, sendo, inclusive, pioneira em pesquisa em conjunto com universidades de primeira linha, como a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Federal de Pernambuco. Todo esse esforço estratégico sempre garantiu à Engetron uma posição de vanguarda no lançamento de tecnologias no Brasil.

Como a Engetron conseguiu competir com gigantes multinacionais? Qual o diferencial da empresa?

Para competir com igualdade, a Engetron sempre projetou produtos com foco no mercado internacional, desenvolvendo-os de forma a atender as mais rígidas especificações e certificações dos mercados americano e europeu. Essa abordagem garantiu à Engetron a competitividade tanto no mercado doméstico quanto no internacional.

Atualmente, a Engetron está presente em quais Estados e países?

A Engetron está em todos os Estados brasileiros e exporta, eventualmente, para alguns países da América do Sul.

Como representante do setor, qual sua avaliação sobre o desenvolvimento de tecnologias no país hoje?

O ambiente para o desenvolvimento de tecnologias no Brasil é notadamente mais difícil do que nos países em que os governos têm políticas mais claras para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento tecnológicos. O Brasil tem muito que avançar em políticas de governo que promovam de forma mais efetiva e eficaz o desenvolvimento de novas tecnologias dentro do território nacional.

Quando se fala em nobreaks, há quem pense que apenas empresas, indústrias e comércio têm demanda para eles. De que forma podem ser utilizados em residências e em quais situações são indicados?

Os nobreaks podem, sim, ser utilizados em residências para iluminação de emergência, elevadores, portões eletrônicos, de segurança, câmeras e roteadores. Podem também suportar aparelhos médicos como o CPAP [usado no tratamento do ronco e da apneia] para adultos e outros dispositivos para quartos de bebês.

A Engetron já foi reconhecida como Empresa Cidadã. Qual a importância de desenvolver um trabalho social paralelamente às atividades da empresa?

Por meio do trabalho social é que cada cidadão pode contribuir para a construção de um país cada vez melhor, investindo sempre em educação, saúde e infraestrutura, resolvendo em primeiro lugar aquelas carências sociais mais importantes em seus municípios e suas regiões.

O senhor é atuante nas causas sociais também fora da Engetron. O que despertou a vontade de fazer o bem ao próximo?

Quando nascemos, recebemos nosso mais importante presente: a vida. Depois, ganhamos tantos outros presentes, como a educação, o calor e a segurança de nossas famílias, o apoio de nossos amigos e a infraestrutura de nossas comunidades. Quando adultos, após tantos presentes, é natural se despertar a vontade de fazer o bem ao próximo, retribuindo tudo que recebemos desde nossa juventude.

Hoje, o senhor desenvolve quais trabalhos sociais e em quais localidades?

Como presidente da Comissão Distrital da Fundação Rotária do Distrito 4760 Rotary International, venho desenvolvendo um trabalho por meio de projetos em diversas comunidades, em vários municípios de Minas Gerais. Em Contagem, por exemplo, há o Vida Nova, que viabiliza a recuperação de crianças vitimas de violências física, psicológica e sexual, equipando com materiais lúdicos três centros de atendimento. Há também atividades regionais, como o projeto AVC, de Montes Claros, que aparelhou e treinou a equipe da Santa Casa de Misericórdia para atender pacientes com doenças neurodegenerativas e AVC (Acidente Vascular Cerebral). Esse projeto atende todos os municípios do Norte de Minas e alguns do Centro-Sul da Bahia. Também trabalhamos com projetos em nível internacional, com o contínuo apoio ao programa Pólio Plus, para erradicar a poliomielite no mundo. Esse é um projeto em longo prazo, que se iniciou 30 anos atrás, quando a doença ainda era endêmica em todos os continentes. Hoje, já conseguimos eliminá-la em quase todos os países, restando apenas Afeganistão, Paquistão e Nigéria, já em fase final de erradicação.

O senhor acredita que o altruísmo seja uma característica mais presente nas gerações passadas do que nas atuais, levando-se em conta o individualismo que as redes sociais têm trazido para a vida de crianças e adolescentes?

Não, o altruísmo é uma das características humanas mais louváveis e que está presente em cada um de nós. As redes sociais são apenas uma forma contemporânea de comunicação entre as pessoas e que trazem muitos benefícios às comunidades. No passado, o mundo já passou por revoluções com a chegada do rádio, da TV e dos e-mails, através da internet. Nada disso aumenta ou diminui o altruísmo humano. Na verdade, uma educação fundamentada em fortes conceitos humanitários pode, sim, potencializar essa bela característica.




AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião de Revista Mais. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Revista Mais poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.