50 tons de cinza da vida real

Extremos

0
Criado em 27 de Abril de 2015 Extremos

Fotos: Samuel Gê

A- A A+

Fetichistas se encontram em festas a cada dois meses para realizarem fantasias e conhecerem novos adeptos dessa tribo

Fernanda Nazaré

SER PISADO COM SALTO AGULHA, amarrado, queimado com cera de vela ou levar chibatas. Isso não é apenas uma cena do filme “50 Tons de Cinza” (2015), mas uma festa real que é realizada em Belo Horizonte de dois em dois meses. Praticantes e curiosos da atividade de dominar ou ser dominado e adoradores de fantasias que podem parecer estranhas ao olhar de muitos reúnem-se no evento Sociedade Fetiche. Organizada pelo promoter Rodrigo “Jokerman”, a festa reúne cerca de 80 pessoas no espaço Lotus Lounge. O organizador prioriza locais reservados e intimistas, o que contribui para a discrição do evento e confere a ele um clima de sociedade secreta – apesar de ser divulgado nas redes sociais e não haver restrição de público.

Segundo Rodrigo, a reunião de fetichistas na capital mineira começou em 2010, com a extensão do Projeto Luxúria, criado em São Paulo com o mesmo objetivo e para o mesmo tipo de público. E, após a noite de Belo Horizonte ter recebido bem a novidade, a cidade ganhou festa própria, batizada de Sociedade Fetiche, ocorrendo desde então a cada dois meses, intercalando com happy hours às quartas-feiras para quem não pode comparecer aos eventos no fim de semana. O ingresso antecipado da festa custa R$ 30 e, na hora, R$ 50.
 
De acordo com o proprietário da Lotus Lounge, Jadem Maximiliano, conhecido no meio como Max, a casa foi descoberta pelos promoters de festas fetichistas há um ano e já recebeu cerca de dez reuniões do tipo. “Muitas pessoas vão à festa com uma roupa extravagante e desejam ficar com alguém, trabalhar o psicológico dessa pessoa só naquela noite e, depois, vão embora. Todos respeitam as regras e cumprem o horário estabelecido. Nunca tivemos problemas”, conta. Neste ano, a casa já recebeu as festas Sado Nights e Fetiche Só para Homens. Em abril, será a vez de Fetiche – Cinema Erótico, para o público GLS.
 
Quem acha que a Sociedade Fetiche envolve práticas sexuais está enganado. “Não vejo nossa festa como erótica, apesar de todo fetiche possuir sua carga de erotismo. Mas esse não é o foco. Ocorrem cenas e interações fetichistas o tempo todo. Afinal, o objetivo é vivenciar o que a noite ‘normal’ não oferece”, explica o organizador. “O fenômeno do ‘50 tons’, apesar das distorções da realidade, não influenciou nossos encontros. Até acredito que exista algum frequentador que teve o seu lado fetichista acordado pela história e, depois disso, procurou eventos dessa natureza. Certamente, foi um passo importante para ajudar algumas pessoas a libertarem algo reprimido, mas apenas no âmbito pessoal”, reflete.
 
PRATICANDO BDSM
Durante a festa, os fetiches podem ser realizados com estranhos ou com o próprio companheiro. Não há regras do tipo ter de ser solteiro, casado ou possuir uma orientação sexual específica. De acordo com Jokerman, o público é diversificado, pois o fetiche independe do biotipo ou do status social. Na primeira edição deste ano, no fim de março, o perfil dos visitantes ficou equilibrado, com muitos casais com idade entre 25 e 40 anos.
 
No princípio, tudo parece familiar a uma boate ou a um pub. Casais bebendo no bar, ouvindo música e conversando. Cerca de duas ou três horas após o início, as práticas fetichistas começam a aparecer. Mordaças, palmatórias, chicotes e coleiras passam a fazer parte do cenário entre os praticantes de BDSM, sigla para as palavras "Bondage (no inglês, significa “bandagem”, que quer dizer prática de amarração com cordas, faixas etc). Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo".
 
Ao mesmo tempo em que se viam homens exercendo o papel de escravo, em que se pede permissão até para beber água, havia mulheres amarradas e sendo chicoteadas. O choro reprimido de uma jovem ficava evidente pela maquiagem borrada, mas o que estava estampado no rosto dela era um sorriso de prazer e satisfação que chegava perto de uma gargalhada.
 
Quem bate não poupa na força e quem apanha pede mais. Por mais chocante que essas cenas sejam, como a de uma mulher estapeando a boca de um homem, para quem as pratica é estimulante. Tudo ali é consentido entre as partes. Geralmente, quem prefere ser submisso ou dominado (chamado de Botton) usa uma coleira. Dominadores (chamados de Top) sempre têm floggers em punho, chicotes de couro macio que provocam vergalhões, mas não costumam cortar a pele.
Todas as práticas no BDSM devem seguir o SSC, ou seja, ser Sãs, Seguras e Consensuais. Os praticantes precisam
 
CONTATO
Quem tiver interesse em participar da próxima festa Sociedade Fetiche deve entrar em contato com a organização do evento pelo e-mail jmfetish@gmail.com. Já na fan page da Lotus Lounge, constam as festas do tipo realizadas na casa. É só buscar por Lotus Lounge BH no Facebook.



AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião de Revista Mais. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Revista Mais poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.