Adrenalina nas ladeiras

Drift Trike

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Criado em 13 de Novembro de 2014 Esportes

Fotos: Rômulo Ozólio

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Esporte radical com manobras de derrapagens, que mistura a adrenalina de correr pelas ruas, é a nova mania dos betinenses
 
QUEM VIVEU A TENRA INFÂNCIA no fim dos anos 1980 e início da década de 1990, com certeza, se lembra dos famosos carrinhos de rolimã. Tra­dicionalmente montados com uma base de ma­deira e com rolamentos de aço servindo como rodas, esses carrinhos eram diversão garantida na época em que brincar ao ar livre com outras crianças ainda era moda. Em algum lugar no tempo, essas atividades foram perdendo força. A meninada passou a se divertir mais em casa, os videogames e computadores tomaram o lu­gar das brincadeiras de rua, e o mundo ficou um pouquinho mais chato. Contudo, para uma turma de Betim que já passou da casa dos 30, essa velha diversão dos tempos de infância não ficou para trás. Mas, como tudo acaba evoluin­do, não são os carrinhos de rolimã que fazem a cabeça desta galera, e sim os trikes, ou Drift Trikes, como são originalmente conhecidos.

Os trikes são uma espécie de evolução hí­brida dos carrinhos de rolimã, misturados com frente das bicicletas de BMX e rodas de kart ou PVC. A ideia da modalidade é descer ladeiras íngremes em altas velocidades, ou praticar o drifting (técnica que consiste em deslizar nas curvas, deixando a parte traseira “escapar”) e os giros no próprio eixo. Dependendo da des­cida, os trikes podem atingir mais de 70 km/h.

Em Betim, o esporte vem ganhando adep­tos há cerca de um ano, e já são dezenas de praticantes se jogando ladeira abaixo em busca de adrenalina e diversão. O principal ponto de encontro dessa turma é no bairro Guarujá Man­sões, que oferece grande número de descidas.

retas e em curva, além de ainda ser pouco habitado, o que reduz significativamente a quantidade de veículos e pedestres nas ruas, favorecendo ainda mais a prática do esporte no local.

Um dos pioneiros em Betim, o empre­sário Rodrigo Lobo, 33, conheceu o trike pela internet. “Comecei há pouco mais de um ano depois de ver alguns vídeos na in­ternet e logo me interessei em começar a praticar. Para mim, o mais empolgante é a adrenalina que o esporte proporciona, com as manobras e a velocidade que atin­gimos”, destaca.

Como envolve altas velocidades, o tri­ke pode ser, sim, considerado um esporte de alto risco, por isso, a importância de os praticantes darem atenção especial aos itens de segurança, que chegam a custar quase o mesmo valor do próprio veículo, como explica o técnico em eletrônica An­tônio Alves Cruz, 33. “Para se montar um bom trike, o investimento fica na casa dos R$ 800, enquanto os equipamentos de se­gurança exigem mais uns R$ 700”, afirma.

O quesito segurança, inclusive, é um dos aspectos mais importantes para os praticantes da modalidade. Para seguran­ça dos pilotos, é importante o uso de ca­pacete, luvas, protetor de joelhos, pernas, cotovelos e antebraços, além de um calça­do adequado. Que o diga o autônomo Jo­nathan Silva, 30. Morador de Juatuba, ele vem a Betim pelo menos duas vezes para praticar e já sofreu com alguns acidentes. “Já sofri algumas quedas em alta velocida­de, e todo acidente, por mais simples que seja, é sempre bem dolorido”, afirma.

COMPETIÇÕES

Com o aumento do número de adeptos no país nos últimos anos, as competições de trike estão se tornando mais comuns, e os praticantes de Betim já começam a se arriscar nas ladeiras Brasil afora. As dis­putas são realizadas em duas categorias, basicamente: slider, em que vence quem percorrer o circuito no menor tempo; e drifting, em que as manobras e saídas de traseira durante o percurso determinam como vencedor aquele que tiver as notas mais altas.

Recentemente, Antônio Cruz partici­pou de etapas do Campeonato Brasileiro e Mineiro, na modalidade slider, tendo, inclusive, vencido uma das baterias da competição. “É um desafio muito grande participar dessas disputas, já que concor­rem pessoas de todo o país, muitas delas mais experientes e com equipamentos melhores. O importante, no fim das con­tas, é se divertir. Mas, com certeza, pre­tendo melhorar e disputar títulos da cate­goria em pouco tempo”, afirma.

Mesmo com o espírito de competição afiado, os praticantes de Betim ainda levam o trike mais como recreação e, para isso, vêm agregando cada dia mais pessoas ao grupo, promovendo a interação e a troca de experiências entre os membros. “Cria­mos um grupo que hoje se reúne com frequência para andar e se divertir. No co­meço éramos três ou quatro, hoje já somos quase 15 pessoas”, conta Rodrigo Lobo.

Para apresentar melhor o trike, o gru­po conta com uma página no Facebook, o “Betim Drift Trike”, onde são postadas informações sobre campeonatos, compra e venda de acessórios e dicas para novos praticantes. Se você tem coragem e von­tade de conhecer um esporte novo, não deixe de passar pelo Guarujá Mansões nos fins de semana. Pode ser o início de uma nova paixão, como foi para muitos desses guerreiros das ladeiras de Betim. 




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