Calvície feminina ou queda capilar?

Cuidar: Por Dra. Adriana Lemos (CRM–32011)*

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Criado em 13 de Março de 2015 Cuidar

Foto: Reprodução/Internet

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O CABELO NÃO É ESSENCIAL para o organismo do ser humano, mas tem grande importância psicossocial. Por isso, a queda capilar – uma queixa frequente nos consultórios médicos – é muito preocupante, principalmente para o público feminino. Ela causa ansiedade e afeta diretamente a autoestima das mulheres, prejudicando suas relações familiares e sociais, além de seu trabalho.
A queda capilar pode ocorrer por conta de várias doenças, como hipotireoidismo, lúpus eritematoso, sífilis, Aids, anemias e síndrome dos ovários policísticos, bem como em situações como pós-parto, durante o uso de alguns medicamentos, pós-cirurgias, em função de infecções e até mesmo pelo estresse, que vem afetando muito as mulheres da “vida moderna”.
Regimes drásticos e dietas restritivas também podem provocar alterações capilares. O uso de produtos químicos deve ser avaliado, mas, geralmente, eles são responsáveis pela “quebra” dos fios, não pela “queda” deles. Tipos de penteados precisam ser observados, sobretudo os que tracionam muito os fios, pois podem levar à alopecia permanente por tração.

O cabelo é um anexo cutâneo e faz parte do folículo pilossebáceo, localizado na pele. Existem entre 100 e 150 mil folículos no couro cabeludo de uma mulher adulta, sendo considerada normal a perda de 50 a 100 fios por dia; normalmente, eles caem por já estarem “velhos”.
É crucial discernir afinamento de rarefação dos cabelos. Isso nos leva a pensar no diagnóstico de alopecia androgenética feminina (calvície) ou no aumento da perda dos fios, o que ocorre na maioria dos eflúvios (queda capilar).
Na alopecia, ou calvície, que atinge uma em cada cinco mulheres, a causa é hereditária, geralmente ligada à linhagem feminina da família e, normalmente, associada a alterações hormonais. Fato curioso é não se perceber visivelmente a perda dos fios nas roupas, nos travesseiros ou no chão. Isso se dá porque os cabelos vão sofrendo um processo de miniaturização, crescendo cada vez mais fracos e finos, e atingindo tamanhos cada vez menores, o que provoca uma rarefação capilar, principalmente na metade superior da cabeça, porém, sem aquelas “entradas”, comuns na calvície masculina.
Já nos eflúvios, a perda capilar excede cem fios ao dia, sendo percebida nitidamente durante a escovação dos cabelos, no ralo do banheiro, no travesseiro, nas roupas e no chão. Os fios soltos geralmente não são mais finos do que o restante. Essa queda capilar pode ter inúmeras causas, que devem ser investigadas e tratadas o quanto antes a fim de que se restabeleça a normalidade do ciclo capilar.
 
TRATAMENTO
Tanto a alopecia (calvície) quanto o eflúvio (queda capilar excessiva) podem – e devem – ser tratados com o principal objetivo de se resgatar a autoestima. O tratamento visa a evitar a ação hormonal sobre os folículos, revertendo o processo de afinamento e miniaturização dos fios. Podem ser usados produtos por via oral ou sob a forma de loções aplicadas no couro cabeludo. Com suplementação vitamínica e substâncias de uso local, estimula-se o bulbo capilar para incitar o crescimento dos fios. Recentemente, o laser frio também tem proporcionado excelentes resultados, antecipando o início da resposta ao tratamento, que pode demorar até quatro meses para aparecer. Portanto, é necessário ter paciência e perseverança.
A indicação do melhor tratamento depende de cada caso, devendo ser determinado pelo médico dermatologista após avaliação clínica, exames laboratoriais e estudo das várias causas da perda dos cabelos. O importante é dar importância à queixa de queda capilar, pois esse problema pode ser motivo de aflição para muitos homens e mulheres.

*Membro da Academia Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e diretora administrativa da Clínica Yaga Laser & Cosmiatria – adriana@yaga.com.br.




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