Educação e imediatismo profissional

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Criado em 19 de Fevereiro de 2013 Comportamento
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POR Lucas Fortunato Carneiro*

Os escândalos relacionados à saúde pública no Brasil me levam à reflexão sobre a qualidade de nossa educação. Que nível de formação de nossos profissionais se torna fundamental? O imediatismo profissional me faz pensar que a qualidade de anos de estudo nas universidades não é mais critério para formação, mas, sim, a pressa em entrar no mercado de trabalho, em ter um diploma, em desfilar com um uniforme ou símbolo, ou até mesmo no acréscimo do “dr.” no cartão de visita. O estudante não quer mais a excelência. Basta uma média de 60% para passar e já está tudo tranquilo.
 
A educação para excelência vem da Grécia antiga, que tem o ensino como forma de levar o jovem ao domínio das habilidades e da competência, que são próprias de cada ser humano. Coloquemos o nome que quisermos: dom, vocação, inteligência, capacidade, etc.
 
Mas quero ir mais além. Quero refletir aqui sobre a cultura e a forma de vida do futuro profissional, desde a sua base, que vem da educação infantil, até níveis mais avançados, com a educação superior. Por todo esse período, muitos estudantes escutam um único dizer: “Para que ser o melhor, se com a média eu consigo passar”. Essa afirmação reflete a cultura da mediocridade. As mais variadas causas para essa fala podem ser elencadas, mas a busca pela felicidade, pelo dinheiro e pelo status está implantando a ideia de que apenas um diploma salva. A mediocridade cultural e intelectual é considerada natural, isso quando é detectada.
 
Onde está o senso crítico desses profissionais e do mundo acadêmico, a sede por conhecimento, a fome de novas ideias e descobertas, o questionar do professor que, na sua maioria, também não está muito interessado, por motivos óbvios? No fim, quem sofre é o pobre, que utiliza o sistema público, na saúde, na educação, na habitação, no saneamento básico, etc.
 
A concorrência desleal e a falta de critério para avaliar as formas de ensino são preocupantes. Partilho com você, leitor, uma fala do padre José Marcos Bach SJ (in memoriam), que pode ser entendida como reflexão para o conceito de educação: “Vemos a pedra que vem ao nosso encontro, mas não vemos a mão que a jogou. Por outra parte, percebemos o efeito, mas não percebemos a causa. Quando observamos uma realidade, o que vemos não é a realidade toda e por inteiro, mas apenas uma parcela de um todo muito maior e mais amplo. Esse todo (hólos, em grego) permanece oculto e o que percebemos é apenas um reflexo seu. David Bohm chama de autofraude científica toda e qualquer tentativa de identificar como real a imagem abstrata que a nossa mente nos oferece a respeito da realidade total. Concorda com os sábios do antigo Oriente, quando afirmavam que ‘a verdade não cabe em conceitos’. Einstein desistiu da ideia de compreender o universo material, contentando-se com admirá-lo, quando descobriu que ele não cabia em equações e que até a mais bela teoria científica continha mais conhecimento falso do que verdadeiro”.
 
Portanto, educação não pode ser uma autofraude, mas, sim, um conceito que não cabe em equações ou explicações racionais de problemas ou busca de soluções. Ao contrário, a educação deve ser vontade aprendente e ensinante que brota do coração.
 
*Educador, graduado em filosofia pela PUC Minas, graduando em teologia e pós-graduando em psicopedagogia pela Fumec - fortunatocarneiro@gmail.com

 




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