Eles só querem uma nova chance

Cerca de 20 mil animais – a maioria abandonada – vivem nas ruas de Betim em busca de sobrevivência. Ação de voluntários leva a eles esperança de um futuro melhor. E prefeitura começa a atuar em prol da causa.

Criado em 30 de Abril de 2019 Capa
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Iêva Tatiana e Daniele Marzano
 

Eles precisam de praticamente tudo: água, comida, abrigo, cuidados com a saúde e, principalmente, carinho. Sujeitos a maus-tratos e abandonados à própria sorte, aproximadamente 20 mil animais vivem nas ruas de Betim – sobretudo cães e gatos –, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cenário, que já é desolador, ainda é agravado pelo fato de vários bichinhos serem estigmatizados como transmissores de doenças das quais são, na verdade, vítimas. Nessas condições, as chances de esses animais terem a vida drasticamente encurtada são grandes, mas, graças à dedicação de pessoas que travam batalhas diárias para salvá-los e protegê-los, muitos têm o destino transformado depois de ganharem uma nova oportunidade de sobrevivência.
A aposentada Zilda Cabral tornou-se referência nessa causa. E não foi à toa: há mais de 50 anos, ela desempenha um papel social e voluntário e, desde 2001, preside a Sociedade Protetora dos Animais de Betim (SPAB), única organização não governamental (ONG) registrada do município. Zilda conta que, nesses quase 20 anos de labuta, já conseguiu mais de mil castrações e incontáveis lares temporários para abrigar diversas espécies resgatadas. Mensalmente, a ONG atende de 20 a 40 animais.

 “Às vezes, choro por uma perda, mas, logo depois, tenho duas ou três alegrias que me ajudam a superar um pouco a dor. Os animais nos ensinam a ter bom humor e alegria, o que é fundamental para o ser humano. Pessoas que envelhecem sem eles são, em sua maioria, azedas e mal-humoradas”, avalia Zilda.
A história dela como protetora começou com dois cachorros que acompanhavam dois moradores de rua em Betim e não deixavam que outras pessoas se aproximassem. Após a morte repentina de um dos homens, o outro passou a ter a companhia de ambos os cães. Com vontade de ajudar, mas temendo a reação dos animais, Zilda costumava deixar água e ração para eles a certa distância e acabou conquistando a confiança da dupla. Cerca de seis meses depois, o outro homem também faleceu em via pública. A polícia foi acionada, mas os militares não conseguiram chegar perto do corpo, porque um dos cachorros não permitia a aproximação deles, defendendo o tutor.  “Eles me chamaram para ajudar, e eu consegui tocar no cão e tirá-lo de lá. Dei a ele o nome de ‘Risadinha’, porque ele parecia que sorria com o canto da boca. Levei-o ao veterinário e consegui um adotante: um homem tetraplégico, com quem ele viveu uma bonita história. A partir de então, comecei a ajudar e a buscar ajuda para os animais”, relembra a fundadora da SPAB.

Em prol da coletividade

De acordo com Zilda, naquela época, no entanto, ainda havia poucos bichos vivendo nas ruas do município, o que tornava o trabalho dos protetores menos difícil. Hoje, com milhares de animais abandonados, uma das principais demandas é a castração, meio mais eficaz de controlar a natalidade, diminuir a proliferação de doenças e reduzir o sofrimento dos animais que vivem em condições insalubres. A presidente da ONG salienta que cuidar dos bichos que estão pelas ruas da cidade é uma questão de “saúde única”.
“O homem conseguiu muitas políticas públicas para ele – e ainda falta bastante –, mas os animais não conquistaram nada. No caso da leishmaniose, por exemplo, o cão é considerado o transmissor, mas nem todo mundo faz sua parte, cuidando do próprio quintal, da rua e do meio ambiente, em uma parceria de conscientização e limpeza. Se você se sensibiliza com um animal sofrendo, é sensível à dor de todos”, diz Zilda.


A psicóloga Joice Caldeira Pereira também bate na tecla da castração como carro-chefe da causa. Protetora independente “há muito tempo”, ela afirma que, com o passar dos anos, mais voluntários dispostos a ajudar têm aparecido em Betim, mas eles não dão conta de acompanhar o ritmo de nascimentos nas ruas nem o de bichinhos abandonados – que, segundo especialistas e ativistas, correspondem a aproximadamente 90% dos animais sem lar.
“Tentamos resgatar na medida do possível. Após o resgate, tratamos, vermifugamos, vacinamos, castramos e encaminhamos para adoção. Quando conseguimos quitar as despesas, é que partimos para um novo resgate. Em alguns casos, tentamos ajudar outras pessoas a conseguirem doações para pagarem dívidas”, diz a psicóloga, que também é uma das idealizadoras do projeto Farmácia Solidária, responsável pela doação de medicamentos veterinários e itens pet na região metropolitana. “As pessoas têm a ilusão de que estão resgatando os bichinhos, mas eles é que resgatam a gente”, garante Joice.

Mutirões

Outro nome de destaque na causa animal betinense é o de Marília Aparecida Ribeiro. Ela concluiu o curso de medicina veterinária em 2012, mas, “desde que se entende por gente”, acompanha os resgates feitos pela família, que sempre recolheu bichos das ruas para cuidar. Atualmente, ela, a mãe e os irmãos abrigam, juntos, cerca de 50 cachorros e de 60 gatos – todos moram em terrenos vizinhos.
Há aproximadamente um ano e meio, Marília decidiu fazer ainda mais ao aceitar um convite para atuar em um mutirão de castração no município. Segundo ela, uma cuidadora chamou vários veterinários para participarem voluntariamente da ação, mas só ela compareceu. O desafio foi encarado, e 20 animais foram castrados na ocasião. De lá para cá, o trabalho continuou sendo feito.
Atualmente, a veterinária atua junto à SPAB. A equipe dela – que inclui duas pessoas no preparo dos animais, uma na distribuição das receitas e duas estagiárias de confiança – recebe uma ajuda de custo para deslocamento, e o valor é repartido entre elas.
Acostumada a lidar com muitas dificuldades nos cuidados com os animais, Marília diz que um dos maiores desafios é conseguir adotantes para eles. “Animal de rua para doação é SRD [sem raça definida], aquele rejeitado pela família, e todos têm um passado triste, o que faz com que a maioria seja arredia e requeira mais cuidados do que os outros. Então, a pessoa que vai receber tem que estar com o coração aberto e saber que está recebendo uma vida que vai estar sob a responsabilidade dela. Do contrário, é melhor nem fazer”, salienta.
Ela defende a criação de uma delegacia exclusiva para os casos de crimes contra animais e a catalogação dos cuidadores de Betim, a fim de que eles sejam fiscalizados, evitando fraudes no recebimento de recursos, por exemplo. Com efeito em longo prazo, vem a educação das crianças, de acordo com Marília.


“Animal não é gente, mas é um ser vivo e tem que ser tratado como tal. Se você puder fazer alguma coisa, faça tudo o que estiver a seu alcance da melhor maneira possível. Vamos cobrar de quem tiver condição de colaborar, e não simplesmente jogar para debaixo do tapete, esconder nossas mazelas, porque elas já estão aí”, salienta.

Mudanças a caminho

Um sentimento comum entre as pessoas que realizam trabalhos de resgate e proteção animal é a carência de políticas públicas que respaldem as ações delas. Segundo Joice Caldeira, muita gente acaba se sentindo desmotivada e sem condições física, emocional e financeira de dar continuidade a iniciativas que poderiam ajudar a salvar mais vidas.
A esperança daqueles que, assim como a psicóloga, estão empenhados em oferecer uma nova chance aos animais é a de que a situação comece a melhorar após o pleno funcionamento da Superintendência de Proteção e Bem-Estar Animal (Sepa), cuja sede será instalada no Parque Ecológico Felisberto Neves, no bairro Ingá, conforme foi mostrado na última edição da Mais.
A pasta, vinculada à Secretaria Municipal de Governo, foi instituída pela Prefeitura de Betim, em fevereiro do ano passado, a partir do programa Governo de Portas Abertas, após um encontro com representantes de entidades, instituições, mantenedoras, casas pet, clínicas veterinárias e militantes em 2017.
O lançamento oficial da Sepa aconteceu no fim de março último, no Parque Municipal David Gonçalves Lara, durante a primeira edição do ExpoPet, evento dedicado aos cuidados com os animais. De acordo com a superintendente de Proteção e Bem-Estar Animal, Roberta Cabral, a atuação da pasta segue três pilares: castração; denúncias de maus-tratos e de abandono; e educação aliada a eventos de adoção.O município, até então, não tinha uma política voltada para a proteção animal. Tínhamos apenas a Zoonoses, mas o objetivo dela é proteger o ser humano quando os animais são vetores de doenças. Agora, temos a Superintendência de Proteção e Bem-Estar Animal", afirma o secretário de Governo, Bruno Cypriano.
Assim que a Sepa for instalada no Parque Felisberto Neves, terá capacidade para abrigar de 40 a 50 animais, e todos que forem castrados vão receber um chip (para que quem queira resgatá-lo futuramente saiba que ele já passou pela cirurgia de castração) – a superintendência já possui 3.200 unidades disponíveis. “Vamos abrigá-los de três a cinco dias após a operação e, depois, vamos devolvê-los ao local em que estavam, porque não temos condições de ficar com todos”, diz Roberta Cabral.


Segundo a gestora, um castramóvel, o primeiro implantado na cidade, já está realizando castrações no parque de exposições. Roberta explica que as cirurgias são oferecidas, prioritariamente, a cães e gatos de rua, sob a proteção de cuidadores e voluntários, e àqueles que pertencem a famílias betinenses de baixa renda (incluídas no CadÚnico; beneficiárias de programas sociais, como Bolsa Família; com renda de até dois salários mínimos). Cerca de 300 animais já foram castrados em abril e março, quando as cirurgias tiveram início.
A meta, de acordo com a superintendente de Proteção Animal, é que, a partir de maio, o equipamento percorra o município para atender aos bairros mais pobres, seguindo os mesmos critérios das castrações que serão feitas na sede da superintendência.
O castramóvel é fruto de uma verba destinada por emendas do deputado federal Fred Costa (Patri-MG), segundo Bruno Cypriano. A autoria do projeto que autorizou a criação da unidade móvel, o PL 061/2017, é do vereador Roberto da Quadra (PHS), que ressalta a importância de haver um controle populacional dos animais de rua de Betim, a fim de se evitar a proliferação de zoonoses no município, especialmente a leishmaniose.
No ano passado, o vereador também apresentou outros quatro projetos voltados para animais do município: o PL 003/2018, que dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à prática de maus-tratos; o PL 025/2018, que trata da criação da Sepa; o PL 234/2018, da Política Municipal de Vacinação contra a Leishmaniose Animal; e o PL 267/2018, que obriga a prestação de socorro a animais atropelados em Betim.
“São esses os projetos que considero mais relevantes. O da vacinação [contra leishmaniose] é um sonho. Ela seria aplicada obrigatoriamente em animais de rua e naqueles semidomesticados, que têm casas, mas vivem soltos. Cuidar da saúde do animal é cuidar da saúde do homem”, salienta Roberto da Quadra.


Amor de décadas

A protetora Idimar Rincon Martins, a famosa Didi dos Cachorros, de 65 anos, conta que aguarda com muita expectativa a chegada do castramóvel à região do Citrolândia, onde há cinco anos ela criou um abrigo para cães, o Amor e Proteção para Animais Abandonados (Appa) Instituto Didi Martins. Segundo dona Didi, o local tem, atualmente, 20 cachorros, a maioria debilitada. “Apesar de toda dificuldade que temos, seguimos na luta. Sinto falta de políticas públicas para que as ações de proteção animal não se percam com os fins dos mandatos”, diz dona Didi, que está tentando criar uma ONG para ter mais acesso a medicamentos, rações, exames de laboratório, entre outros recursos: “Recolho muitos bichos doentinhos e tenho muita dificuldade em tratá-los. Espero que a organização ajude muito. Mas preciso de verba para dar entrada na papelada no cartório”, explica.
A ativista planeja promover um evento em junho para arrecadar fundos para viabilizar seu projeto. “Quero envolver toda a comunidade do Citrolândia. Temos muita gente habilidosa aqui. Cada um pode ajudar de uma forma”, diz dona Didi, que, futuramente, pretende promover cursos por meio da ONG que será criada. “Sou feliz aqui e acredito que estou fazendo minha parte”, finaliza.
Outra protetora atuante em Betim é a auxiliar de serviços gerais Celda Sena, de 48 anos. Com a ajuda da filha, Débora, e do marido, César, ela cuida de cinco cães em casa, todos resgatados das ruas, e de dois que moram em frente à sua residência, no bairro São João. “Infelizmente, não temos espaço para outros bichos, mas damos água e ração para os que vêm à nossa porta”, conta ela, que ajuda protetores individuais em ações voluntárias realizadas em um canil que abriga oito cães. “Limpo o local todos os dias, alimento os bichinhos e dou remédio se necessário. Além disso, quando precisam de ajuda para acompanhar nas castrações, eu vou”, relata Celda, que segue a rotina há 13 anos e afirma ter se livrado de uma depressão forte com o afeto que recebe dos animais. “Eles não sabem falar ou reclamar e, mesmo assim, estão sempre prontos a nos dar carinho. São vidas que dependem da gente. O mínimo que nós, humanos, podemos fazer é cuidar deles”, afirma.  

População atuante

Denúncias de maus-tratos a animais já podem ser feitas anonimamente por meio do telefone da Sepa (31) 3531-2323. Diante da informação passada, uma equipe segue para o local denunciado, e, se é confirmada a ocorrência de maus-tratos, o agressor recebe um prazo para se adequar. Caso isso não aconteça, ele será multado. “Todo o trabalho tem que ser feito em conjunto. A castração, por si só, não resolve o problema da cidade. É preciso multar para que não haja abandono. Esse é um trabalho de longo prazo. Vamos começar a ver os resultados daqui a três ou quatro anos”, projeta a superintendente de Proteção e Bem-Estar Animal, Roberta Cabral.
Os valores das multas variam de acordo com a gravidade da infração cometida, indo de 10 a 25 Unidades Fiscais de Betim (UFBEs). Atualmente, segundo a Superintendência de Receitas, um UFBE equivale a R$ 102,62.
Segundo Roberta, não existem no município, hoje, estatísticas que apontem quantos animais nascem nas ruas, periodicamente, nem quantos protetores independentes, grupos e ONGs não registradas estão atuando. Contudo, ela afirma que já é possível observar uma mudança de comportamento da população, que está mais consciente.
“Faço muitos eventos e palestras e, nos últimos dois anos, tenho notado as pessoas mais preocupadas. Antes, não se falava muito desse assunto; agora, muita gente pergunta a respeito e presta atenção. Fico feliz com isso, porque a luta é grande, e os resultados vão surgindo aos poucos”, destaca a gestora.

Críticas

O vereador Claudinho (DEM) é autor do Projeto de Lei 013/2018, que regulamenta a implantação de bebedouros e comedouros para cães de rua em frente a imóveis residenciais e comerciais de Betim. Segundo ele, a proposta foi criada com o objetivo de eliminar os potes de sorvete nas portas das casas, que – apesar da boa intenção de que os coloca – acabam contribuindo para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya.
Conhecido por também ser militante da causa, o parlamentar, embora seja da base aliada do governo, considera que o município ainda tem muito a conquistar no que diz respeito a políticas públicas para animais. Ele afirma que não tem encontrado apoio para as propostas que já apresentou ao longo dos últimos dois anos, quando foi eleito para a Câmara Municipal pela primeira vez.
Segundo Claudinho, projetos de autoria dele para a criação de um hospital veterinário, da Semana de Proteção Animal e também do fundo de proteção animal foram vetados pelo Executivo. “Tenho sentido desânimo com essas questões. É muito fácil encontrarmos até no meio político de Betim pessoas que posam dentro de apartamentos com um poodle e se dizem protetoras. Precisamos é ir a campo e fazer políticas públicas”, critica.
Por outro lado, o vereador ainda acredita em mudanças e salienta a importância de elas realmente acontecerem: “Além disso, precisamos conscientizar escolas e crianças a não maltratarem e, principalmente, a não abandonarem”.


Medo do desconhecido

A luta dos cães e gatos por uma segunda chance na vida não raramente esbarra na falta de conhecimento – e até de compaixão – quando o assunto são doenças, especialmente no caso de zoonoses (patologias que também podem acometer seres humanos). A leishmaniose, por exemplo, embora seja mais abordada em cães, também pode afetar felinos, gambás e outras espécies silvestres, de acordo com o veterinário especialista em clínica médica e cirurgia de animais de pequeno porte Pedro Henrique de Moura.
Transmitida pelo mosquito-palha e causada por um protozoário, durante muito tempo, a doença foi considerada uma condição determinante para a eutanásia de animais, mesmo aqueles que não apresentavam sinais evidentes. “Essa foi uma opção incessantemente usada no passado, sem critério, mas existem formas mais sensatas de tratar o problema, como acabar com o mosquito, fazendo com que ele volte à condição de antes, de habitar somente a selva e deixar de ser domiciliar. Os animais silvestres são focos muito mais importantes da doença, com mais parasitas do que o cachorro”, informa o veterinário.
Entre os sintomas mais comuns da leishmaniose estão magreza, unhas grandes, feridas e escamações na pele, alopecia (perda de pelo) e seborreia. “Animais nessa situação ainda podem ser tratados, e o quadro deles pode ser revertido. Podemos dizer, de forma muito cuidadosa, que eles são curados”, diz o médico veterinário.
No caso dos gatos, a esporotricose é uma das maiores vilãs. Trata-se de uma zoonose causada por um fungo e, apesar de ser menos comum, pode estar presente também em espécies caninas. A doença provoca nódulos na pele, queda de pelo, úlceras no tronco, na cabeça e nas orelhas, febre, anorexia, ressecamento da pele e vômitos. Casos mais graves causam grande debilitação nos bichinhos, mas o veterinário ressalta que, se a doença é tratada no estágio inicial, é completamente curada, e o felino deixa de ser portador e transmissor da doença.
Para Moura, o maior dos males que afetam os animais é, na verdade, o abandono. “Eles são incapazes, vulneráveis. Quem faz isso está condenando-os à morte. É a maior crueldade que se pode praticar”, conclui.


Zoonoses

O Centro de Controle de Zoonoses e Endemias (CCZE) de Betim, ligado à Secretaria Municipal de Saúde, atua nas regionais de maior concentração de cães por meio de ações de um programa de leishmaniose. “São realizados exames para diagnóstico da doença, inquérito sorológico canino no entorno de casos positivos humanos, e, quando necessária, é efetuada a eutanásia dos animais positivos”, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Betim.

O CCZE também realiza a captura de cães e gatos que estão em sofrimento ou que se apresentam agressivos em locais públicos. O contato pode ser feito pelos telefones 3594-5424 e 3594-2390, ou pelo e-mail ccze_betim_mg@yahoo.com.br.
Embora funcionários do centro não percorram o município realizando testes nem aplicando vacinas, moradores com grande número de animais em casa podem acionar a unidade para que uma equipe vá até o local vaciná-los.
“A campanha de vacinação antirrábica animal é realizada de julho a setembro, período em que são criados postos volantes em locais públicos como escolas e praças. Fora da campanha, o CCZE atende a procura espontânea pela vacina na unidade”, informou a prefeitura.
A protetora individual Irani Osória Fernandes, de 52 anos, conta que, todo ano, recebe a equipe da Zoonoses em casa, no bairro Jardim Casa Branca, onde cuida de 23 cães e dez gatos. “Eles vêm para fazer o teste de leishmaniose e aproveitam para vaciná-los contra a raiva”, afirma Irani, que é dona de casa e vive de doações para cuidar dos animais que protege.
“Quando vim para Betim, em 2001, tinha dez cachorros. Mas  muita gente, sabendo que cuido, abandona filhotes dentro de caixas em frente à minha casa. Já aconteceu isso várias vezes. E não tenho coragem de fingir que não é comigo”, lamenta, que diz ter medo de colocar seus animais para doação por causa da possibilidade de eles serem abandonados: “Infelizmente, já vivi experiências assim”.


 




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