Entrevista com Edison Mansur

0
Criado em 08 de Julho de 2013 Conversa Refinada
A- A A+

Filho de comerciantes e descendente de árabes sírios, ele já foi paraquedista do Exército, goleiro e até jogou no Mineirão. Casado e pai de três filhos, um de seus passatempos preferidos é viajar para o Rio de Janeiro, cidade pela qual nutre uma grande paixão. Conheça um pouco mais sobre Edison Mansur, um homem respeitadíssimo e um dos advogados mais requisitados de Betim e região

Viviane Rocha

REVISTA MAIS - O senhor é de uma família de advogados?

Edison Mansur - Não. Nasci em Ponte Nova, na Zona da Mata, e antes de me tornar advogado meu sonho era ser jogador de futebol. Inclusive, já disputei dois campeonatos mineiros, em 1962 e 1963.

Em qual time?

Naquela época, o Cruzeiro estava começando a se formar, e o América era o time mais conhecido em Minas Gerais. Mas a maioria das pessoas torcia para os grandes times do Rio de Janeiro. Meu pai é um exemplo. Ele era flamenguista doente. E, apesar de não se importar de eu jogar futebol, ele não aceitava que esse esporte fosse para mim uma profissão. Isso porque, nesse período, a fama do jogador era de marginal e de malandro. Ele queria que eu estudasse e que o esporte fosse para mim apenas uma diversão. Mas acabei desobedecendo à sua ordem e, antes de completar 18 anos, cheguei a entrar em confronto com ele quando disse que iria ao Rio para jogar no Flamengo. Acabei indo, em 1963, quando completei a maioridade.

 

Como foi a sua vida no Rio de Janeiro?

Não conhecia o Rio, tampouco alguém que pudesse me dar acesso ao Flamengo. Mas eu precisava sobreviver. Então, nesse período, decidi entrar para o corpo de paraquedistas do Exército. Sem, claro, deixar de acreditar na possibilidade de alguém me levar para treinar no Flamengo. A companhia era formada por 120 homens e, desse total, cerca de 90 eram jogadores de futebol. O comandante, um apaixonado pelo esporte, sempre prometia me levar ao Flamengo, mas nunca acontecia. Por isso, decidi retornar a Belo Horizonte. Comecei a trabalhar no comércio e voltei a estudar.

 

Foi nessa época que decidiu ser advogado?

Sim. Com 19 anos prestei vestibular na PUC Minas e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as duas únicas universidades do estado. Acabei indo para a PUC, onde estudei até o oitavo período. Mas, como nessa época resolvi me casar, acabei trancando a matrícula. Não dava para trabalhar e estudar ao mesmo tempo. Eu tinha uma família para sustentar. Dessa união com a Regina vieram meus três filhos: o Igor, a Lilian e o Yuri.

 

Depois disso, quando voltou a estudar?

Quando eu estava quase sendo jubilado (isto é, perdendo o direito à matrícula por exceder o tempo limite para me formar), fui morar em Montes Claros e terminei os quatro períodos que faltavam para me formar. Peguei meu diploma e, em 1982, voltei para Belo Horizonte, onde abri um escritório. De lá, vim para Betim, por causa de um amigo, o Palmério, do Clube Pingo d’Água. Após seis meses, abri meu escritório.

 

Como avalia o crescimento de Betim nas últimas décadas?

Quando cheguei aqui, a cidade tinha 60 mil habitantes. Todo mundo se conhecia. Nós saíamos na rua e todo mundo nos cumprimentava. Betim não era como hoje. Com a vinda da Fiat e de outras empresas, houve um grande crescimento no município. A cidade explodiu demograficamente. O fluxo de dinheiro aqui é enorme e nossa arrecadação é fantástica. Mas tivemos um crescimento muito desordenado. Isso fez com que hoje vivamos sérios problemas em relação ao controle habitacional e à segurança pública. Mas acredito que Betim vai continuar crescendo.

 

Gosta da cidade? Onde vai quando quer se distrair?

Gosto muito de Betim. Esta cidade é minha casa. Criei meus filhos aqui. Só que, em relação à questão do lazer, a cidade deixa a desejar. Temos bons restaurantes, mas não grandes estabelecimentos no setor. Acho que a proximidade com a capital nos prejudica. Grande parte das pessoas que quer se divertir vai para BH. Mas, como sou muito caseiro, prefiro viajar. Vamos muito ao Rio, já que minha esposa tem parentes lá. Sou apaixonado por aquela cidade.

 

Voltando a falar de futebol, o senhor torce para qual time?

Sou cruzeirense roxo.

 

E vai aos estádios assistir às partidas?

Quando eu era jovem, sempre acompanhava o Cruzeiro nos estádios. Só que hoje não vou mais. Joguei no Mineirão por duas vezes, antes da reforma, pela Faculdade de Direito, em um campeonato entre faculdades e em um amistoso entre times da segunda divisão de Belo Horizonte, que se chamava Juventus. Não me lembro exatamente qual era o outro time, mas era um de futebol amador. Foram preliminares de jogos de grandes equipes, como Atlético e Fluminense. Hoje, tenho vontade de voltar ao estádio para saber como ele está após as reformas para a Copa de 2014.

 

O senhor jogava em qual posição?

Gol.

Fotos: Deivisson Fernandes

 

Como começou sua paixão pelo esporte?

Desde criança. Meus amigos e eu ficávamos na expectativa de o ano letivo passar para pode jogar bola. Mas eu também gostava de praticar basquete, futebol de salão e peteca. Outras formas de entretenimento, como sinuca e baralho, não eram bem-vistas pelas pessoas. Então, na época das férias, os jovens não tinham muitas opções para se divertir.

 

Como avalia as manifestações que estão acontecendo no país?

É um movimento válido. Estamos vivendo uma democracia quase plena, que, naquela época (década de 1960), não existia. Qualquer coisa que você questionasse, era pancadaria, prisão. Hoje, levando em consideração que o povo brasileiro é muito ligado ao futebol, ao carnaval e à cerveja, e parecia que não se posicionava nas questões sociais, fiquei surpreendido e orgulhoso quando vi que essa situação mudou. Percebo que agora a juventude e o povo brasileiro estão com a disposição de questionar, reivindicar. Só não concordo com o vandalismo que está acontecendo, que prejudica o patrimônio público e privado. Isso tem de ser combatido.

 

O senhor é a favor da reforma do Código Penal?

Acredito que esse movimento que está nas ruas neste momento vai influenciar a reforma do Código Penal. Mas outra coisa que também temos de discutir é a maioridade penal, porque, se um garoto de 16 anos já pode votar, ele também sabe o que está fazendo. Precisa haver uma reforma bem drástica em prol da segurança da população. A polícia apreende e, pouco tempo depois, o elemento já está solto. E, quando ele fica acautelado, são apenas três anos sob a custódia do Estado. Penso que uma reforma para punir mais severamente os indivíduos que cometem delitos possa dar maior segurança para a sociedade.

 

Seus pais trabalham com o quê?

Meu pai era árabe sírio. Ele veio para o Brasil quando tinha 19 anos. Aqui, conheceu minha mãe e, juntos, tiveram 12 filhos. Quatro mulheres e oito homens. Dessa turma, estou entre os mais jovens. Minha irmã mais velha está com 96 anos, meu irmão mais velho tem 93, e tenho outras quatro irmãs, com 82, 80, 77 e 76. Um dos meus irmãos, Sérgio Mansur, faleceu em um acidente de trânsito, em 1973. Na época, ele trabalhava na Rede Globo e estava gravando a novela “O semideus”.

 

Sua família é muito grande. Como é a relação com seus familiares?

Nossa relação é ótima. São 160 pessoas em média. Todos os meus irmãos se casaram e tiveram filhos. Sou tio-avô, tio-bisavô, mas ainda não tenho netos. O Igor é casado e sem filhos. O Yuri mora em Uberaba e virou empresário. Ele abriu uma choperia Devassa em Uberaba há pouco tempo. Já a Lilian é solteira e também não tem filhos.




AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião de Revista Mais. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Revista Mais poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.