Existe cirurgia para celulite?

POR Dra. Adriana Lemos (CRM–32011)*

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Criado em 08 de Outubro de 2014 Cuidar
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Por mais estranho que possa parecer, há, sim, uma técnica cirúrgica para tratar os níveis mais avançados da celulite, como o grau IV. A técnica é simples e pode ser realizada no próprio consultório médico, com anestesia local. Ela se restringe aos casos mais avançados de celulite, quando aparecem aqueles “buracos” na pele, principalmente, nas nádegas, nos culotes e na parte posterior das coxas.

Essas depressões da pele são formadas por septos fibrosos subcutâneos, que puxam a superfície da pele para baixo, dando o aspecto de casca de laranja. A técnica, chamada de subcisão, consiste exatamente na eliminação desses septos e no preen­chimento do espaço deprimido. Também pode ser usada para o tratamento de rugas mais profundas e cicatrizes. O princípio básico é realizar o procedimento com uma agulha de ponta cor­tante, que é introduzida sob a pele, provocando o seu desco­lamento e sangramento no local. Esse sangramento forma um hematoma que se reorganiza, dando constituição a um novo tecido colágeno, que preenche o espaço, elevando as rugas, cicatrizes e os “buraquinhos” da celulite. É o chamado preen­chimento autólogo, isto é, quando se utiliza tecido do próprio corpo como fonte do material para preencher aquele local.

SUBCISÃO

No caso da cirurgia para o tratamento da celulite, a agulha “bisturizada” é usada para cortar ou “arrebentar” os septos fi­brosos que se formaram abaixo da pele, causadores dos “bura­cos” da celulite em estágio avançado, interrompendo a tração exercida pelos septos sob a pele, que é liberada e se eleva, cor­rigindo as depressões características da celulite. Além disso, a agulha também atinge pequenos vasos sanguíneos, o que leva a formação de um hematoma, que dará origem a um novo tecido conjuntivo e ocupará o espaço antes deprimido. A subcisão, por tratar-se de um procedimento cirúrgico, só pode ser realizada por médicos treinados para a correta execução dessa técnica, geralmente, da área dermatológica.

PÓS-OPERATÓRIO

Apesar de o paciente poder retornar às suas atividades nor­mais no mesmo dia, o período do pós-operatório é longo, cerca de 30 dias, pois se formam grandes hematomas (manchas ro­xas) que, posteriormente, serão reabsorvidos pelo organismo. São necessários alguns cuidados, como não tomar sol para não ficar com “manchas” nas áreas tratadas.

DICAS CONTRA A CELULITE

Os outros graus mais simples da celulite devem ser comba­tidos com as técnicas não cirúrgicas, como a radiofrequência com infravermelho, associada à drenagem linfática a vácuo, vi­bratória ou manual, carboxiterapia, ultrassom cavitacional ou de correntes estereodinâmicas, e até mesmo a aplicação do sculptra (ácido poliláctico), nos casos em que a flacidez de pele associada mostrar-se mais avançada. É importante lembrar que a celulite tem uma tendência evolutiva na mulher e, para man­ter-se sempre nos graus 1 e 2, que são os menos perceptíveis, a atividade física regular, a boa ingestão de água e a alimenta­ção saudável e equilibrada são poderosas escolhas no dia a dia. Alguns cremes dermocosméticos e nutricosméticos específicos para o tecido adiposo subcutâneo também podem somar-se po­sitivamente aos resultados do tratamento.

Agora, que você já conhece as principais armas contra os diferentes graus da celulite, inicie hoje mesmo o seu combate, pois o verão já se aproxima!

*Membro da Academia Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e diretora administrativa da Clínica Yaga Laser & Cosmiatria – adriana@yaga.com.br.




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