Hábitos: necessidade ou natureza?

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Criado em 14 de Março de 2013 Comportamento
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Por Lucas Fortunato Carneiro*

Nosso estilo de vida é a mais fina expressão de nossos hábitos, sejam eles bons ou maus. Admiramos e invejamos outras pessoas pela coragem, sempre que elas fazem algo não habitual. Mesmo bons hábitos precisam ser feitos conscientemente.

Crianças, jovens, adultos e idosos, cada ser vivo no mundo precisa de hábitos. O que seria de nós se não fossem eles? A cada segundo criamos novos hábitos, conforme as circunstâncias se apresentam e nossas necessidades exigem. Eles são fonte inesgotável de criatividade, mas podem transformar-se em frustração quando não são bem vividos.

Mas quem nunca reclamou de algum hábito? Queremos, constantemente, nos livrar deles. Tecemos discursos longos, afirmando que eles nos engessam, nos embrutecem e, até mesmo, condenam nossa mente a viver na mesmice. Sempre queremos fazer algo diferente, sair da rotina, por fim, acabamos por construir novos hábitos.

Onde cada um de nós estaria sem os hábitos? Pode-se afirmar que eles nos dão estabilidade psicológica, apesar de proporcionar o sentimento sufocante de estar fazendo a mesma coisa. Inconscientemente, nós os repetimos, mas, raramente percebemos isso. Com isso, acabamos por dar sempre as mesmas respostas em nossa rotina.

Nosso estilo de vida é a mais fina expressão de nossos hábitos, sejam eles bons ou maus. Admiramos e invejamos outras pessoas pela coragem, sempre que elas fazem algo não habitual. Mesmo bons hábitos precisam ser feitos conscientemente. Esquecemos que somos capazes, tanto quanto qualquer um, de viver o momento presente e, então, transformar hábitos mecânicos em rituais transformadores de vidas.

Os hábitos são regulados pela intensidade com que cada um vive a sua existência. Não se cria um hábito do nada. Ele surge de uma necessidade, de uma vontade infinita de realizar determinados gestos, que têm como objetivo completar e intensificar a nossa vida. Na filosofia o hábito surge com a prática das virtudes, no livro II da “Ética a Nicômaco”, Aristóteles diz: “sendo, pois, de duas espécies a virtude intelectual e a moral, a primeira, por via de regra, gera-se e cresce graças ao ensino – por isso requer experiência e tempo; enquanto a virtude moral é adquirida em resultado do hábito”.

Segundo o dicionário Aurélio, hábito significa: “comportamento que determinada pessoa aprende e repete, frequentemente, sem pensar como deve executá-lo. Uso, costume; maneira de viver; modo constante de comportar-se, de agir”. Muitas ações da vida cotidiana constituem hábitos. Imagine como seria difícil alguém descer uma rua se tivesse que pensar em cada um dos atos necessários a dar cada passo. O hábito difere do instinto, que é um comportamento inato, não aprendido.

Portanto, como define o dicionário: “hábito difere do instinto”. Creio que o hábito é mais do que uma mera repetição de gestos, é um risco que envolve todo o amor e a vontade de viver. É um deixar rolar antes de ter a certeza do que vai acontecer.



 

*Educador, graduado em filosofia pela PUC Minas, graduando em teologia e pós-graduando em psicopedagogia pela Fumec - fortunatocarneiro@gmail.com




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