Na política, em que lugar se encontra o cidadão?

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Criado em 15 de Outubro de 2012 Comportamento
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Aos meios de comunicação, como internet, TVs aberta e fechada, jornais, revistas, panfletos, sensacionalistas ou não etc. Mas o que me intriga em tudo isso é a qualidade daquilo que é escrito, que tipo de informação ou ideologia é repassado via meios de comunicação, o que é apresentado ao cidadão e a que cada um de nós está submetido. Nesse contexto, observo a questão politica, que, neste ano eleitoral, está em voga. Quero deixar bem claro que não sou filiado a partido político nem sou adepto de nenhum. Ou até mesmo completo as trincheiras ideológicas de nosso município, pois acredito fielmente na soberania do cidadão, no seu direito de escolha e no bem comum da nação, pois, se nisso não acreditasse, seria um verdadeiro hipócrita. 
 
Quando buscamos entender o papel do cidadão nesse processo tão antigo e natural, mas que se apresenta sempre tão novo  revolucionário, temos a política como arte ou ciência da organização, da direção e da administração de nações ou Estados; “palavra que tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado, chamadas ‘pólis’, nome do  qual se derivaram palavras como ‘politiké’ (política em geral) e ‘politikós’ (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que se estenderam ao latim ‘politicus’ e chegaram às línguas europeias modernas através do francês ‘politique’, que, em 1265, já era definida nesse idioma como "ciência do governo dos Estados” (Bobbio, Norberto et. al. Dicionário de Política. 12 ed. Brasília: UnB, 2002.). Pense no lugar do cidadão nesse processo. Observe nossa realidade. Faça a si mesmo esta pergunta: “Qual o meu lugar na política ou no processo político?”.
 
Quero aqui buscar refletir aquilo que é de visão de todos, ou seja, a cidade, a vida, a convivência, o bem-estar. Quando se buscam entender propostas e contrapropostas, observam-se constantes agressões, difamações, deturpações do outro e até mesmo o uso de falcatruas midiáticas para usurpar o direito de escolha do cidadão. A política, creio, tornou-se um meio de vida, uma forma de sobrevivência, um jeito fácil de subir na vida e ganhar poder e dinheiro. Podemos perceber isso nos vários processos políticos em nosso país, em seus mais variados níveis: federal, estadual, municipal. 
 
“O homem é um animal político”, escreveu Aristóteles. Mas que tipo de política esse homem aristotélico busca hoje? Uma política que se mostra totalmente subjetiva, usurpadora e deturpada, cheia de minúcias e falcatruas. É difícil pensar no homem como um ser político quando ligo a TV e vejo casos de propina, mensalão, suborno, mortes e agressões, um egoísmo absurdo, tudo isso por aquilo que trata do bem-estar do cidadão, que trada da “pólis”, do lugar onde vivo com minha família, meio esse que se expressa pela política ou pelo relacionamento entre poderes, dos quais destaco o poder individual de escolha e o poder coletivo de governar. 
 
O ser humano tem sede de poder, domínio, quer submeter a todo custo o outro, e a política é um meio de fazê-lo. São várias as  formas de exercícios de poder de um indivíduo sobre o outro; o poder político é apenas uma delas. 
 
O Estado é a instância máxima, que tem o papel outorgado pelo cidadão de governar a “pólis”. “Por Estado se há de entender uma empresa institucional de caráter político onde o aparelho administrativo leva avante, em certa medida e com êxito, a pretensão do monopólio da legítima coerção física. Com vistas ao cumprimento das leis.” (Weber, M. Economia e sociedade.)
 
O que preocupa muito é perceber que as falas e as ações políticas, que visam garantir o cumprimento das leis que regem o Estado e que são constituídas para a prática do bem comum, não se preocupam com a organização do Estado, mas,  simplesmente, em agredir aquele que comigo compete para poder gestar o Estado em seu ato de governar. E, sobre a qualidade dos administradores, ela é questionável e muito desinteressante. Pois temos sempre as mesmas propostas: “por educação, segurança, transporte e saúde”. Todos nós, por lei, temos o direito de receber do Estado que nos gesta educação, saúde, transporte, alimentação, segurança, meio de vida digno. Eu não posso eleger alguém que me promete algo que já é direito garantido; não posso eleger alguém que vai me dar aquilo que já tenho e não tem nada de novo para me oferecer. Se o Estado não garante aquilo que é direito do cidadão, é porque quem gesta o Estado usa de forma inadequada esse meio e não tem reta intenção.
 
O eleger alguém para governar é muito mais do que um gesto de colocar alguém para fazer algo por mim. Significa delegar, entregar, confiar, conceder direito a um cidadão com maior disponibilidade, o gesto nobre de colocar à disposição de todos a ação do Estado, constituído e legitimado pelo cidadão.
 
Portanto, política como meio de vida e de sustento, política como orma de enriquecimento e através de práticas corruptas e, sem mais delongas, política que, mascaradamente, cria no cidadão uma apatia, um sentimento de revolta, de tristeza e até mesmo de vergonha e comparação é o que presenciamos hoje. Amigos e amigas, fazer política não é só segurar uma bandeira do partido A, B ou C, é começar a pensar naquilo que já se tem por direito e em que meios haverá para acrescentar algo novo às vidas individual e coletiva de todos.
 
*Educador, graduado em filosofia pela PUC-Minas, graduando em teologia e
Pós-graduando em psicopedagogia pela Fumec - fortunatocarneiro@gmail.com

 




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