Protetor solar oral existe?

POR Dra. Adriana Lemos (CRM–32011)*

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Criado em 12 de Fevereiro de 2014 Cuidar
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Sabemos, atualmente, que a pele tem a necessidade de ser protegida da radiação ultravioleta gerada pelo sol. Até pouco tempo, a melhor maneira de se fazer isso era, simplesmente, aplicar o protetor solar, além de procurar áreas de sombra, evitar os horários de mais exposição solar e usar chapéus e roupas mais claras. Tudo isso ainda é válido, mas, agora, podemos contar com mais uma poderosa arma para nos protegermos do sol: o antioxidante oral, comercialmente conhecido como “protetor solar oral”.
 
Recentemente, alguns nutracêuticos antioxidantes foram descobertos, como Polipodium leucotomos, Licopeno, Betacaroteno, Luteína e Pycnogenol. Eles possuem várias propriedades que podem nos proteger dos efeitos nocivos da radiação ultravioleta.
 
Os estudos mostram que, quando nos expomos ao sol, a radiação agride as células da pele, ocorrendo a formação de “células defeituosas e queimadas”, originando manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele. Quando se ingerem essas substâncias antioxidantes, essas células “defeituosas” não aparecem, demonstrando que a pele está mais protegida.
 
Outras pesquisas demonstram que as células que dão resistência à pele também são preservadas. Sabemos ainda que, quando nos expomos ao sol, a radiação provoca oxidação intensa, formando radicais livres, que agridem as diversas estruturas da pele, como membrana celular, vasos e fibras colágenas.
 
Fotos: Reprodução internet
 
Com a ingestão dos antioxidantes orais, essa oxidação e todas essas estruturas são preservadas. Também é sabido que, sob o efeito deles, a pele fica menos avermelhada. A melhor forma de ser beneficiado é iniciar seu uso cerca de quatro semanas antes da exposição solar mais intensa e manter o tratamento, pelo menos, por todo o período do verão, mas, se possível, durante todo o ano.
 
Os benefícios adicionais, além da proteção cutânea dos antioxidantes orais, ainda estão sendo estudados, mas já se sabe que alguns promovem um bronzeado mais uniforme e mais duradouro. Outros também melhoram a circulação sanguínea em pacientes com maior propensão a varizes, além da ação benéfica em relação à proteção de células cerebrais ligadas à memória, bem como o auxílio no prolongamento da capacidade de produção de fibras colágenas pelos fibroblastos cutâneos, prevenindo, assim, a flacidez da pele.
 
Por enquanto, nenhum efeito colateral foi descrito, porque eles são extraídos, basicamente, de plantas atóxicas. A escolha do melhor “protetor solar oral” e a dosagem ideal para cada pessoa devem ser orientadas por um médico dermatologista, já que há características distintas em cada um e que devem ser valorizadas na hora de selecionar qual o melhor a ser utilizado em cada caso, levando-se sempre em consideração as necessidades particulares de cada um.
 
O fato é que temos, então, uma perspectiva real de promover uma maior proteção da pele contra os efeitos danosos da radiação solar com o uso dos antioxidantes orais, principalmente, para pessoas mais sensíveis à luz, com manchas resistentes, como o melasma, e com maior propensão ao câncer cutâneo, além de conseguirmos prevenir com maior eficácia o fotoenvelhecimento precoce da pele.
 
*Membro da Academia Brasileira de Dermatologia, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e diretora administrativa da Clínica Yaga Laser & Cosmiatria – adriana@yaga.com.br.



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