Quem manda em sua casa: você ou o seu cachorro?

É certo que é difícil resistir a tantas fofurices dos cãezinhos, mas se seu animal de estimação pula muito em você, pedindo sua comida, late bastante e o puxa na guia quando vocês saem para passear, saiba que é ele quem lidera no lar; segundo adestradores

Criado em 06 de Abril de 2016 Pet

A família Fonseca Lima consegue exercer liderança sobre a fofíssima Lina, de 4 anos; segundo eles, depois de receber alguns ‘nãos’, a shit-zu passou a atender aos comandos dos integrantes da casa e se tornou uma cadela obediente e tranquila

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NO APARTAMENTO DE FLÁVIO SANTOS, 50 anos, e Simone Carvalho, 38, que vivem no bairro Arquipélago Verde, em Betim, a confusão se instalou desde que chega­ram ao lar mais dois “filhos” – Pretinho, vira-lata de 10 meses, e Lila, uma shit-zu de 1 ano. Eles vieram para fazer compa­nhia ao “irmão” mais velho, Vitor Hugo, outro shit-zu, de 5 anos. Segundo conta Simone, o objetivo era adotar apenas mais um pet para que Vitor Hugo não se sentisse só quando da ausência dos donos. “No início, para não deixá-lo em cada sozinho, levava-o para a casa de mi­nha mãe todos os dias, quando ia para o trabalho. Eu o levava e o buscava de­pois”, diz ela, que cogitou com o marido a ideia de adquirir outro cão da mesma raça. Mas, para a surpresa de todos da casa, sobretudo de Vitor, chegaram Lila e Pretinho de uma vez. “Na verdade, não planejamos a chegada de nenhum dos três, nem mesmo a do Vitor, que ganhamos de minha irmã antes de nos casarmos. Em julho do ano passado, um vizinho nos cedeu a Pretinho, e, uma se­mana depois, uma antiga conhecida nos trouxe Lila”, relata.

Apesar do amor que sente pelos bichinhos e da alegria que eles trouxe­ram à casa de Flávio e Simone, o casal confessa estar preocupado com o com­portamento dos cães, que, na opinião deles, são muito desobedientes. “Aqui, sem dúvida, quem manda são eles”, diz Simone com convicção, explicando que Lila e Pretinho, talvez por serem mais novos e ainda terem muita energia, são bagunceiros demais e, por conta disso, já deram alguns prejuízos na casa – den­tre outros objetos, eles já “comeram” vá­rios chinelos e meias, alguns pedaços de parede e parte do sofá retirar.

Mas essa rotina estressante está com os dias contados. Isso porque o casal contratou, há alguns dias, um adestra­dor para os “filhinhos”. “Com três ca­chorros em um apartamento, não há dú­vidas de que precisávamos da ajuda de um profissional. E, agora, que já tivemos duas aulas – são quatro por mês no pa­cote que contratamos –, temos certeza disso. Afinal, percebemos uma melhora no comportamento deles. Algumas dicas já fizeram a diferença. Mas que é difícil educá-los é. Exige muita dedicação de nossa parte”, conta Flávio.

Mauro Viera, 28, é quem está ades­trando Lila, Pretinho e Vitor Hugo. Ele, que realiza esse trabalho há três anos, revela que a maioria dos donos de ca­ chorros é liderada por eles. Mas, afinal, por que isso acontece? Mauro responde que todos fazem dos bichos seus filhos e, assim, tentam humanizá-los, o que não está certo. Resultado? “Os animais acabam por dominar completamente seus tuto­res ao perceberem que conseguem tudo que querem”, explica Mauro, que cita os principais sinais de desobediência deles: “quando puxam o dono na guia, quando pulam nele ou quando latem enquanto ele está comendo”.

O PROCESSO

O profissional orienta os tutores a fa­zerem o adestramento de seus cães cedo, enquanto eles são filhotes. “Animais mais velhos têm mais dificuldade de aprendiza­do por terem passado vários anos fazendo o que lhes convinha”, pontua.

De acordo com Mauro, as três regras básicas para se ter um cachorro equilibra­do e obediente são exercícios, disciplina e carinho. Sobre a duração do processo, o adestrador salienta que cada cachorro tem seu próprio tempo. “O que vai di­ferençar é o temperamento do animal. Um cão equilibrado demora cerca de seis meses para ser adestrado; já um cachorro mais difícil pode demandar até um ano de ensinamentos contínuos”.

Conforme explica Mauro, cada aula dura em torno de uma hora. “Vou até a casa do cliente e ensino tudo que ele precisa saber para liderar o cão”, diz o adestrador, que faz questão de que o tu­tor do animal participe do treinamento, pelo menos uma vez por semana, para aprender comandos básicos. “Quando a pessoa não dispõe de tempo nem pa­ciência, ofereço levar o cachorro para minha residência, onde ele passa a se­mana, retornando para o dono nos fins de semana, quando algumas orientações que dou devem ser seguidas para que o processo não se interrompa”, detalha o profissional.

SIM, É POSSÍVEL LIDERAR O CÃO!

Para quem não acredita que pode con­seguir liderar seu cão, a família Fonseca Lima nos mostra que é perfeitamente possível comandar os bichinhos. A rela­ções-públicas Cibele da Fonseca Lima e o engenheiro industrial-mecânico Kayser de Lima são pais dos garotos Rafael, de 13 anos, Vitor, de 11, e também da charmosa Lina, uma shit-zu de 4 anos que, segun­do eles, trouxe muita alegria para o lar. Cibele, que revela ter relutado a ter um cachorro, embora ela e o marido consi­derassem importante a convivência dos meninos com animais, diz que, hoje, a família não se imagina sem a presença de Lina no apartamento em que moram, no bairro Nossa Senhora do Carmo, também em Betim.

De acordo com Cibele, Lina é uma ca­delinha muito tranquila. “Ela passa boa parte do dia dormindo. Quando tem o incentivo de um de nós, adora brincar de correr atrás da bolinha, seu brinque­do favorito. O momento em que ela fica mais ativa é quando estamos os quatro em casa”, relata a “mãe” de Lina, orgulhando­-se ao mencionar que costuma chamá-la de sua “seguidora”, já que a cadelinha se­gue os passos de Cibele dentro de casa.

A família afirma que Lina é obedien­te, uma vez ela dorme no lugar certo, faz suas necessidades no tapetinho próprio, não sobe nas camas, e, quando a porta do apartamento se abre, dirige-se so­mente até a escada, pois sabe que não pode descer. Mas esse relacionamento não foi sempre assim, conforme eles destacam. “Nos primeiros meses de con­vivência com a Lina, tivemos dificuldade para ensinar a ela as rotinas da casa. Pen­samos que não conseguiríamos educá-la, principalmente a fazer as necessidades no local certo. Nesse período, as dicas da veterinária foram fundamentais. Sem­pre nos incentivava a persistirmos e nos ensinava que devíamos mostrar a ela quem mandava em casa. Enfim, nossos ‘nãos’, nossos ‘não pode’ soaram firmes, e, felizmente, ela aprendeu, embora seja difícil não se encantar com as gracinhas dela”, revela a família, que faz questão de ressaltar o amor que eles sentem pela bichinha. “Ela é tratada com muito cari­nho por todos nós. Somos firmes com ela, mas damos atenção o tempo todo”, completa.

Um dos ensinamentos que os Fonseca deram à shit-zu é com relação ao local de suas necessidades. “Sempre que ela acer­tava, nós a presenteávamos com um bifi­nho; se fizesse no local errado, levava um “não, aqui não pode” e, claro, ficava sem o ‘presentinho’. Até hoje, ela procura um de nós, e, pulando e fazendo festa, nos avisa que fez as necessidades, querendo dizer, na verdade, que aguarda sua recom­pensa”.

No site “Tudo sobre Cachorro”, o terapeuta de cães Bruno Leite, em de­poimento a um vídeo produzido pelo canal sobre o tema liderança, comenta que os cachorros nasceram para serem seguidores e, por isso, precisam de um líder equilibrado. Bruno pontua algumas dicas importantes para os donos de ca­chorros poderem liderar seus melhores amigos, como criar rotinas para eles, estabelecendo horários para comerem, brincarem e passearem, e não cederem caso peçam alguma coisa. Mas o princi­pal ensinamento do profissional é: “amar os cães é entender a diferença entre os seres humano e eles”.

A pedido do casal de entrevistados Flávio e Simone, seus nomes foram alterados para terem sua identidade preservada.

 

DICAS PARA LIDERAR SEU CÃO

  • Ande na frente: como o líder geralmente anda à frente, a maioria dos cães procura ocupar essa posição. Portanto, ao passear com seu cão, não permita que ele vá à frente e, ao passar por portas e portões, conduza o animal.
  • Imponha regras e restrições: quando seu cão latir ou pedir alguma coisa, não o atenda imediatamente. Se o fizer, estará obedecendo às suas ordens, e ele entenderá que é o líder. Assim, antes de fazer o que ele está esperando, dê alguns comandos.
  • Ignore quando necessário: se seu cão não quer obedecer, ignore-o completamente e não faça o que ele está pedindo
  • Elogie: quando o bichinho se comportar ou mostrar submissão, elogie-o. Assim, além de mostrar que você é o líder, dará a ele o “prêmio” de receber atenção de sua parte.
  • Entenda a realidade do cão: ele não é gente!
  • Não utilize violência no tratamento com seu animal de estimação: não bata nem nele e também não grite com ele, pois essas atitudes farão com que o bichinho estabeleça uma relação de medo, não de respeito com você

Fontes: Psicologia Canina (maurovieirajr@yahoo.com.br / 31 99807-9865) e site “Tudo sobre Cachorro”




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